sábado, 1 de dezembro de 2007

Epidemiologia da obesidade

A epidemiologia da obesidade estuda a frequência e distribuição desta doença nas diversas populações, bem como os possíveis factores que determinam o seu aparecimento ou desenvolvimento.
A obesidade é uma realidade que atinge todos os estratos etários da população, daí a ser considerada um dos maiores problemas de Saúde Pública. Naturalmente que existem, também relativamente a este aspecto, algumas opiniões diferentes. Alguns autores, por exemplo, defendem que a obesidade é particularmente mais grave em crianças e adolescentes porque apresentam o risco de se tornarem também adultos obesos. É assim considerado um dos transtornos nutricionais mais frequentes nas crianças e adolescentes e a sua prevalência, nestes escalões etários, tem vindo a aumentar gradualmente nos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas relativamente a este ponto, teremos oportunidade de, mais à frente, desenvolvê-lo e perceber melhor o impacto e as repercussões que a obesidade tem na adolescência.
O interesse em reconhecer dados epidemiológicos está em estabelecer graus de risco, que permitam programar linhas de actuação específicas para um determinado grupo. Neste sentido, é conhecido que existe uma correlação clara entre a gravidade da obesidade e a frequência de desenvolvimento de complicações, que é máxima quando o índice de massa corporal ultrapassa valores de 40kg/m2.
De acordo com dados recolhidos na obra de Ogden, J. (2001), as taxas de obesidade estão a aumentar no Reino Unido. Se ela for definida como um IMC maior do que 30, os dados mostram que, em 1980, 6% dos homens e 8% das mulheres eram obesos, o que aumentou para 13% e 16% em 1994; prediz-se que em 2005 estes números terão aumentado para 18% e 24%, respectivamente (Department of Health, 1995). Estimativas dos EUA sugerem que 24% dos homens e 27% das mulheres são, no mínimo, ligeiramente obesos (Kuczmarski, 1992) e que as mulheres se têm tornado especialmente pesadas nos últimos anos (Flegal et al., 1988). No mundo, as taxas de obesidade mais altas são encontradas na Tunísia, EUA, Arábia Saudita e Canadá, e as mais baixas na China, Mali, Japão, Suécia e Brasil; o Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia estão colocados numa posição intermédia. Na Europa, as taxas mais altas são na Lituânia, Malta, Rússia e Sérvia, e as mais baixas na Suécia, Irlanda, Dinamarca e Reino Unido. No seu conjunto, os povos da Europa do Norte e Oeste são mais magros dos que os do Leste e Sul e as mulheres têm mais probabilidade de obesidade do que os homens.

Um comentário:

Anelise Gaya disse...

Recentemente o artigo da Flores et al (2013) aponta para estes dados numa amostra de crianças e adolescentes brasileiros